Inspirada na figura mitológica descrita por Camões em Os Lusíadas, a obra reconstrói o Adamastor — o monstro que simboliza o medo europeu do desconhecido — em papel machê e fogo. Aqui, o ícone da epopeia colonial é reinventado como efígie de reparação: um corpo frágil, inflamável, destinado à combustão.
ADAMASTOR
Ao queimá-lo, a instalação propõe um gesto de inversão e purificação: o que antes representava poder e conquista torna-se cinza e memória. Criada como parte do projeto Elxs Ñ Sabem a Minha Língua, do poeta Vinicius Terra, a obra evoca a decolonização da lusofonia e a urgência de atravessar o Atlântico em outro sentido — não para dominar, mas para reencontrar.